terça-feira, 8 de julho de 2014

Se fizer greve o governo manda prender, se trabalhar o preso tenta matar. A triste realidade do Agente penitenciário de Sergipe


A situação dos agentes penitenciários de Sergipe é extremamente complicada, se fizer greve para reivindicar melhorias salariais e melhor condição de trabalho, a exemplo da que ocorreu no mês de junho o governo pede e recebe da justiça a decretação de ilegalidade da greve e pede ainda que a mesma justiça decrete também a prisão dos agentes, que por não estarem nas unidades prisionais, de acordo com o governo, possibilitou a fuga de detentos em dois presídios de Sergipe, quando estes em razão dos movimentos paredistas estavam sendo guarnecidos pela policia militar e pela força nacional.

Pressionados pela justiça e pelo governo com ameaça de prisão, os agentes penitenciários suspenderam o movimento e voltaram a trabalhar. Porém, ao reassumirem as unidades os agentes reclamam da fragilização das celas  que por muitos dias sem a presença dos guardas estão com inúmeras portas de celas arrebentadas pelos presos, faltando muitos cadeados pois foram quebrados e não foram repostos pela administração, e muitas chaves de cadeados desaparecidas.

Embora diversos alertas feitos pelo sindicato da categoria quanto as revistas estarem sendo realizadas de forma incorreta e sem a devida atenção, durante o período de duração da greve dos agentes, nenhuma revista rigorosa com a participação da policia militar foi realizada no pós-greve, assim os agentes não sabem exatamente o que lhes sobrevirá quando forem, um ou dois agentes abrir uma cela onde se amontoa 18 ou vinte presos.

O fato desta manhã 07/07/14, da conta que ao abrir a cela onde estavam 20 presos um agente foi ferido na mão, no pescoço e nas costas com um chunço, agressão praticada por um detento com o objetivo de matar o Agente. vejam matéria:

http://senoticias.com.br/se/?p=66751

Não é possível que um fato gravíssimo como este seja tratado pelo governo como fato atípico da rotina prisional, e muito pior que isso, que o governo não enxergue a necessidade urgente da realização de concurso público, tanto para melhor atender a comunidade carcerária, quanto para dar aos agentes prisionais uma melhor condição de trabalho.

Abaixo, foto de alguns chunços fabricados pelos detentos do Copemcan, e retirados após rápida revista realizada pela administração e agentes da unidade. Esta é apenas uma pequena amostra dos artefatos que são encontrados diariamente nos presídios de Sergipe.


É bom frisar que estes artefatos são confeccionados pelos internos a partir da retirada de pedaços de vergalhões retirados das paredes úmidas dos banheiros (conhecidos como bois) e locais afetos a umidades diversas, e afiados diariamente pelos internos quando trancados nas celas.

A greve dos Agente Penitenciário de Sergipe, não foi apenas para pedir melhoria salarial mas sobretudo para pedir socorro, pois todos são pais e mães de famílias e querem viver.

O pensador.

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